Uma análise dos resultados obtidos pela quarentena na China e Itália

Pontos importantes tomados na China determinaram o controle do Coronavírus

Publicado em 29/03/2020 20h39 - Atualizado 30/03/2020 01h58
Autor: Elias Torres

A quarentena tem sido discutida muito durante os últimos dias nas redes sociais entre a parte da sociedade que é a favor e a que é contra. Os que são a favor levam a convicção de que é  necessário impedir a proliferação do vírus Covid-19, já os contrários à quarentena alegam um  grande prejuízo como a falta de produção, não apenas o trabalhador, mas o empregador seriam igualmente prejudicados.

A grande verdade, é que esta situação nunca existiu na história da humanidade, não neste mesmo formato, de uma pandemia nas condições atuais da humanidade, onde existem cidades com alto índice populacional, cidades concentradas de pessoas,  grandes aglomerações e inúmeros fatores favoráveis a vírus mortais. Nunca na historia tivemos a mesma condição social em que um vírus se instale e atormente as pessoas a nível global, trazendo medo, dor e mortes.

Todos os argumentos são válidos, tanto os que são contra a quarentena, quanto os que são a favor. Não existe um ponto central de racionalidade, no entanto, podemos afirmar que sim. Existem condições, circunstâncias e recursos para cada necessidade perante esta situação.


As cidades aglomeradas.

Mesmo que os dois lados estejam certos, não é possível tomar decisões conforme os números gerais. É um grande equívoco comparar uma metrópole com uma super população a uma cidade que tem apenas 50 mil habitantes, onde o ônibus passa de hora em hora. São condições totalmente diferentes. Uma cidade que tem milhões de habitantes, metrô, milhares e milhares de ônibus, carregando um nível super elevado de contágio, fica difícil comparar. 

Eu acredito que existem pontos essenciais que favorecem os vírus, um deles, falando especificamente, é o contágio em aglomerações. As grandes capitais sempre tem um ponto central, podendo ser uma estação de trem, um terminal de ônibus, um aeroporto, não é atoa que as maiores cidades do Brasil com milhões de habitantes, estão sofrendo com números altos do coronavírus.

Os metrôs que geralmente ficam lotados todo os dias, são locais férteis para a propagação do vírus. Eu já vivi em uma capital e certamente, muitos que vivem no interior desconhecem como é tomar um trem lotado, metro ou ônibus em uma capital, em hora pico. Não há espaço para esticar nenhum membro do seu corpo, se viajar em pé. Essas circunstâncias quase não existem em cidades pequenas. Existem ônibus lotados em pequenos municípios ? sim, no entanto, não é o mesmo nível e volume que acontece em grandes capitais, onde o vírus pode aparecer em um local e logo ser transferido a uma rede enorme de locais em um único dia.


O que foi feito em países com foco de coronavírus.

Atualmente as cidades com milhares de casos de Coronavírus se encontram nas grandes capitais, cidades que tem milhões de habitantes e muitas situações de aglomeração. São grandes cidades - o que torna impossível administrar a propagação do vírus - fazendo com que as autoridades mantenham o seu foco sobre essas grandes capitais. Podemos dar alguns exemplos:

A China, que teoricamente foi de onde nasceu esta grande pandemia, precisamente na cidade de Wuhan, com pouco mais de 11 milhões de habitantes. Foi onde ocorreu o primeiro foco do vírus.

segunda cidade afetada foi Huanggang. Após as descobertas nesta segunda cidade, não foram aplicadas medidas para todo o país da China. As autoridades isolaram as cidades com casos positivos para o coronavírus, iniciando com o  fechamento de estações de trens, rodoviárias, cafés, cinemas, transportes urbanos e algumas estradas.

Também foi decretado o fechamento do comércio não essencial nas cidades afetadas. Medidas em âmbito local onde o vírus apareceu.

Em um país com mais de 1.300 bilhões de habitantes, uma quarentena nacional seria catastrófica para a nação econômica e socialmente.

Na Itália, que é um dos países que mais sofre com o Covid-19, a quarentena foi implantada recém quando já haviam 7.985 casos de coronavírus e 724 fatalidades. No entanto, serviços de transporte - onde há aglomerações - foram mantidos, com exceção somente do transporte de longa distância. Este foi cancelado.

Mesmo com as restrições, é muito difícil controlar as aglomerações e a distância entre cada passageiro. Depois do início da quarentena, apenas comércios de serviços e produtos essências foram mantidos, o que ainda não impediu as aglomerações em grandes mercados.

A matéria a seguir também confirma o fato das medidas tomadas pela China e Itália sobre o transporte coletivo.


Alguns pontos

O intuito não é apontar o dedo para quem errou, mas usar dos fatos e exemplos daquele que teve os melhores resultados. Neste caso, a China conseguiu conter o vírus com suas medidas. A China com centenas de cidades, isolou algumas e implantou a quarentena, e um ponto importante foi suspender o transporte coletivo e aglomerações. Quem sabe esse pequeno detalhe foi responsável por fazer uma enorme diferença. Outro ponto é a quarentena local, realizada apenas nas cidades as quais haviam casos confirmados do vírus, seguidos de óbitos.

Na minha opinião, tomando como base todas estas informações, cada país deveria isolar as cidades com casos positivos de coronavírus, isolar e instalar a quarentena, proibindo o transporte coletivo. Quem dependesse de transporte público teria um grande problema para chegar ao seu trabalho, nessa questão, as empresas deveriam contornar esse problema de algum modo com seus próprios recursos ou com ajuda do governo. Cidades que não tem casos poderiam operar normalmente, monitorando constantemente um possível caso de infecção .

Fazer uma quarentena Nacional, tendo em conta que não existem nem sequer um caso de contágio, na maioria das cidades de um país, não é eficiente.

Pequenas cidades são extremamente prejudicadas por isso, sem que haja nenhum caso e , do mesmo modo, cidades vizinhas sem o vírus. Medidas como a que fez a Argentina de isolar todo o país, vão deixar uma enorme ferida na economia, atingindo cidades pequenas, gerando desemprego e muitos outros problemas sociais.

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Elias Torres Elias Torres

Elias é redator da X24 em assuntos do dia a dia do Brasil, Mundo e da cidade local, também é um forte conhecedor de política. Hoje faz parte de grupos de jovens da cidade comprometidos com a ação social e desenvolvimento humano, solteiro e com 24 anos.

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