Ataques cibernéticos: América Latina na mira, apesar de todos os esforços

Uma análise sobre o crescente cenário de ciberataques na América Latina, focando principalmente nos dispositivos móveis, e as medidas preven

Publicado 22/09/2023 às 19:58 por Alex Torres

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Imagine que a cada minuto, cinco dispositivos móveis na América Latina sofrem ataques cibernéticos. Parece alarmante, não é mesmo? Segundo um estudo recente realizado pela Kaspersky, entre agosto de 2022 e agosto de 2023, ocorreram um total de 63 milhões de ataques a dispositivos móveis, incluindo celulares e tablets, na América Latina. Isso representa uma média impressionante de mais de 6.300 ataques por dia.

Países mais afetados

O Brasil lidera a lista de países mais atingidos, seguido por México e Equador. Colômbia, Argentina, Peru e Chile também fazem parte deste cenário preocupante.

Ameaças prevalentes

Mas quais são as ameaças que rondam esses dispositivos? O adware, que são programas desenhados para exibir publicidade intrusiva, é uma das principais ameaças identificadas, representando mais de 70% dos ataques. Esses aplicativos geralmente são instalados juntamente com programas gratuitos ou são baixados de sites infectados sem a autorização do usuário.

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Outro perigo emergente na América Latina é o SpyLoan, aplicações fraudulentas que oferecem empréstimos e bloqueiam o dispositivo da vítima caso o pagamento não seja efetuado a tempo.

Conforme o relatório da Kaspersky, os especialistas em cibersegurança estão particularmente preocupados com a proliferação de trojans bancários, especialmente aqueles originários do Brasil, como o Banbra, Brats e Basbanke. Esses malwares tiveram um papel proeminente nos ataques, representando 60% das tentativas de infecção de dispositivos móveis na região durante o período analisado.

Além disso, o stalkerware, como o Cerberus, também representa uma ameaça notável. Este é um programa de vigilância vendido legalmente, mas comumente usado para rastrear a atividade de parceiros, resultando em situações de assédio digital. Brasil, México e Equador são os países da região mais afetados por essa forma de stalkerware.

Como se proteger?

person holding black iphone 5

Diante desse cenário inquietante, a pergunta que fica é: como podemos nos proteger dessas ameaças? Aqui estão algumas recomendações que podem ajudar:

  • Revisar os comentários dos apps antes de baixá-los: Nem todas as aplicações nas lojas oficiais são confiáveis, por isso, é importante verificar as avaliações dos usuários sobre a aplicação ou programa.
  • Verificar o remetente e a direção do link antes de clicar: Isso garante a autenticidade do link.
  • Não/Jamais fornecer dados pessoais ou bancários: Se houver dúvida sobre a autenticidade de uma página ou aplicativo, evite realizar pagamentos ou operações financeiras.
  • Prestar atenção aos sinais de stalkerware: Se o dispositivo está superaquecendo sem razão aparente, a bateria está se esgotando rapidamente ou o desempenho está mais lento que o habitual, isso pode ser um sinal de infecção por stalkerware.

Medidas preventivas adotadas por governos e empresas

Além das ações individuais de cibersegurança, é fundamental que governos e empresas também adotem medidas preventivas para combater ataques cibernéticos. Em alguns países da América Latina, já estão em andamento políticas de segurança cibernética e iniciativas públicas de conscientização. As empresas também têm um papel crucial, investindo em soluções de segurança e treinamento de funcionários. Estas medidas em conjunto podem formar uma rede de proteção mais eficaz contra as crescentes ameaças cibernéticas na região.

O papel da educação e conscientização

A educação e a conscientização são armas poderosas na luta contra os ataques cibernéticos. Campanhas educativas, workshops e até mesmo disciplinas escolares focadas em cibersegurança podem ajudar a preparar a população para reconhecer e evitar ameaças. Informações sobre como criar senhas fortes, reconhecer e-mails de phishing e manter os softwares atualizados podem salvar muitas pessoas de se tornarem vítimas de ataques.

Em suma, o panorama de ameaças móveis está em constante evolução. A América Latina está se consolidando não apenas como uma das principais vítimas desses ataques, mas também como um dos principais exportadores de ameaças a nível global, segundo Fabio Assolini, diretor do Equipo Global de Investigación y Análisis de Kaspersky para América Latina. Portanto, é essencial manter-se informado e protegido.

Principais países latino americanos que tem reagido às investidas destes ataques:

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Brasil

O Brasil tem investido em políticas públicas para melhorar a segurança cibernética. O Plano Nacional de Segurança Cibernética (ou Estratégia Nacional de Segurança Cibernética – ENSC) é uma iniciativa que busca fortalecer as defesas do país contra ataques cibernéticos e promover a conscientização.

México

O México possui uma estratégia nacional para segurança cibernética e tem colaborado com parceiros internacionais para fortalecer suas defesas. O país também está trabalhando para criar um ambiente digital mais seguro para empresas e cidadãos.

Colômbia

A Colômbia lançou uma Estratégia Nacional de Cibersegurança e Ciberespaço que inclui planos para o desenvolvimento de capacidades cibernéticas e a proteção de infraestruturas críticas.

Chile

O Chile é outro país que tem tomado medidas para melhorar a segurança cibernética, incluindo a criação de um comitê interministerial responsável por coordenar ações e políticas nesta área.

Argentina

A Argentina tem um programa nacional de segurança cibernética que visa proteger as infraestruturas críticas do país e conscientizar o público sobre os riscos cibernéticos.

Esses países têm mostrado um compromisso significativo em adotar políticas de segurança cibernética, seja por meio da criação de estratégias nacionais, seja pelo investimento em tecnologias e treinamento. A colaboração regional e internacional também tem sido uma característica importante desses esforços.

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