Os desafios das redes sociais na saúde mental dos adolescentes

As redes sociais têm um efeito significativo na saúde mental dos adolescentes, com aumento de doenças mentais e busca por validação digital. É fundamental que os pais participem ativamente da vida virtual dos jovens para mitigar riscos e proteger seu bem-estar emocional.

Publicado 05/04/2025 às 20:01 por Alex Torres

Em uma era onde as redes sociais dominam o cotidiano dos adolescentes, preocupações sobre sua saúde mental estão em crescente evidência. Com o advento de plataformas como Instagram e TikTok, muitos jovens se veem imersos em um ambiente virtual que pode, segundo especialistas, impactar negativamente sua saúde emocional.

O psicólogo Jonathan Haidt, autor de *La Generación Ansiosa* (2024), atribui o aumento de doenças mentais entre adolescentes ao uso massivo de smartphones e redes sociais. Ele acredita que estas tecnologias suprimem interações sociais presenciais, essenciais para o desenvolvimento emocional.

Geraldine Peronace, psiquiatra e especialista em adições, também compartilha dessas preocupações. Para ela, a exposição exagerada a conteúdos potencialmente nocivos nas redes sociais colabora significativamente para crises de saúde mental entre os jovens.

O impacto negativo das redes sociais nos jovens

Nos Estados Unidos, entre 2010 e 2015, a taxa de suicídio adolescente subiu de 5,4 para 7 por 100 mil. Além disso, a prevalência de depressão entre esses jovens cresceu de 16% para 21% no mesmo período. Esses números são alarmantes e exigem atenção.

Segundo Peronace, muitos pais, por desconhecimento, não supervisionam o que seus filhos acessam na internet. Ela alerta que não basta estarem fisicamente presentes, é crucial participar ativamente da vida digital dos adolescentes.

Família e supervisão: uma questão de segurança

Silvina Pedrouzo, da Sociedade Argentina de Pediatria, destaca que os jovens ainda não possuem maturidade para decisões tecnológicas saudáveis. Portanto, o envolvimento dos pais é fundamental em aspectos como tempo de tela e conteúdo consumido.

Para Peronace, além de monitorar, é necessário educar sobre os riscos inerentes ao mundo virtual. Este cuidado visa proteger os adolescentes dos perigos, como o grooming, que é uma das principais ameaças desta era digital.

A pressão pela validação digital

Outro aspecto grave é a persistente busca por validação nas redes sociais. Alguns jovens vinculam sua autoestima diretamente aos “likes” e visualizações em suas publicações. Isso gera uma pressão social que impacta negativamente a saúde emocional.

Essa necessidade de aceitação pode desencadear transtornos como depressão e ansiedade. Peronace destaca que os adolescentes frequentemente veem essas métricas como indicadores de valor pessoal, prejudicando sua autoestima.

Estratégias para mitigação de riscos

  • Definir limites para uso das redes sociais, garantindo que não prejudiquem sono e estudo.
  • Estimular atividades offline, como esportes e momentos em família longe das telas.
  • Manter comunicação aberta sobre os riscos das redes sociais.
  • Monitorar plataformas e conteúdos acessados pelos adolescentes.

É inegável que as redes sociais têm um papel significativo na vida dos jovens, mas seus efeitos não podem ser subestimados. Um suporte familiar ativo e presente é chave para mitigar os riscos e proteger a saúde mental dos adolescentes.

A psiquiatra Peronace reforça: “O mundo virtual é real”. Cabe aos pais serem guias no uso das tecnologias, assegurando que o mundo digital não comprometa o bem-estar emocional dos seus filhos.

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