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Flávio supera Lula, direita avança no Senado e muda o jogo: veja o recado das urnas de 2026

Flávio Bolsonaro lidera o 1º turno contra Lula, enquanto a direita avança no Senado. Veja os principais resultados das eleições de 2026.

Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026
Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o segundo turno da eleição presidencial. Foto: Agência Senado / reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado.

Se alguém esperava uma eleição previsível, as urnas entregaram um recado bem mais forte. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a direita avançou com força no Senado e conquistou resultados importantes nos estados.

Na atualização da apuração com 99,98% das urnas totalizadas, Flávio aparecia com 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões de votos. Lula tinha 45,15%, aproximadamente 53,86 milhões. Como nenhum dos dois ultrapassou a metade dos votos válidos, a decisão ficou para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

É uma diferença de menos de dois pontos percentuais. Pequena no papel, sim. Mas suficiente para inverter a expectativa de parte das pesquisas divulgadas na reta final e colocar Flávio na campanha decisiva como o candidato que saiu na frente das urnas.

Flávio sai na frente, mas a eleição não acabou

O resultado tem peso político porque, desde a redemocratização, o candidato que terminou o primeiro turno presidencial em primeiro lugar não perdeu a posição no segundo. Isso ajuda a explicar a comemoração no campo da direita — mas não transforma o resultado de 25 de outubro em algo decidido.

Agora começa praticamente uma nova eleição. Os votos dados a Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e aos demais candidatos voltam para a mesa, assim como as alianças partidárias, a disputa pelos indecisos e a tentativa de reduzir a abstenção.

Em outras palavras: Flávio conquistou uma vantagem importante; Lula continua plenamente dentro da disputa. Três semanas de campanha nacional podem mudar bastante coisa.

O Senado talvez seja a maior história da noite

Se a corrida presidencial chamou toda a atenção, o resultado do Senado pode produzir efeitos ainda mais duradouros.

O PL elegeu 19 senadores neste domingo e, somados aos parlamentares que ainda têm mandato, deverá começar 2027 com 28 cadeiras. Segundo a Agência Senado, será a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988.

Para ter ideia do tamanho da mudança, as bancadas seguintes projetadas pelo Senado são a do PT, com 9 integrantes, e a do MDB, com 8. O PL ainda conseguiu eleger seus dois candidatos em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

É aqui que a eleição ganha outra dimensão. Não se trata apenas de quem vai ocupar o Palácio do Planalto. O equilíbrio de forças dentro do Congresso também mudou.

E o STF entra diretamente nessa conta

Um dos assuntos mais comentados durante a apuração foi o crescimento do grupo de senadores que se declara favorável à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Um levantamento publicado após a eleição identificou ao menos 51 senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF. Para uma eventual condenação e afastamento, são necessários 54 votos — dois terços dos 81 integrantes da Casa.

Ou seja: a bancada ainda não possui, sozinha, os votos suficientes para afastar um ministro. Mas está a apenas três votos desse patamar, algo que inevitavelmente aumenta o peso político do Senado diante do Supremo.

Isso não significa que um impeachment ocorrerá. A abertura e o andamento de um processo dependem de uma série de etapas políticas e regimentais. O que mudou é o ambiente: uma pauta que durante anos parecia distante passou a contar com apoio declarado de uma parcela muito maior da Casa.

Rio Grande do Sul dá vitória expressiva a Zucco

No Rio Grande do Sul, a noite também terminou com uma vitória clara da direita. Luciano Zucco (PL) foi eleito governador já no primeiro turno, com 58,05% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Foram mais de 3,5 milhões de votos. O resultado chama atenção especialmente porque resolve a disputa gaúcha sem necessidade de uma segunda votação e reforça o desempenho do PL no Sul.

O estado ainda elegeu Ubiratan Sanderson e Marcel van Hattem para as duas vagas em disputa no Senado, enquanto Hamilton Mourão permanece com mandato. Na prática, a representação gaúcha na Casa ficará fortemente posicionada à direita a partir de 2027.

As pesquisas também saem das urnas com perguntas para responder

Outro ponto inevitável da eleição foi a distância entre algumas pesquisas da reta final e o resultado das urnas.

Levantamentos publicados nos dias anteriores mostravam Lula numericamente à frente em diferentes cenários. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 29 de setembro, por exemplo, apontava Lula com 45,3% e Flávio com 42,2% no primeiro turno. O resultado efetivo colocou Flávio na frente.

Isso não significa que pesquisa eleitoral seja uma previsão exata do resultado — ela é um retrato de uma amostra em determinado momento, dentro de uma margem de erro e de uma metodologia específica. Mas a diferença será, sem dúvida, um dos temas analisados pelos institutos depois da eleição.

E existe um detalhe importante: essa discussão precisa ser feita olhando metodologia, amostragem, data de campo e margem de erro, não simplesmente transformando toda divergência em prova de manipulação. A urna mostra o voto; a pesquisa tenta estimá-lo antes que ele aconteça.

Uma eleição mais à direita?

A expressão “onda da direita” apareceu rapidamente na cobertura eleitoral porque o fenômeno não ficou restrito à Presidência. O avanço do PL no Senado, as vitórias estaduais e a eleição de nomes conservadores em diferentes regiões apontam para um Congresso mais favorável à direita a partir de 2027.

Isso também ajuda a explicar por que o resultado pode ter consequências mesmo se Lula conseguir virar a eleição presidencial no segundo turno. Quem assumir a Presidência terá de governar diante de um Senado muito diferente daquele eleito quatro anos antes.

Se Flávio vencer, terá uma base partidária muito mais numerosa na Casa. Se Lula vencer, precisará negociar com um Senado no qual o principal partido de oposição ganhou musculatura histórica.

O que acontece agora?

Agora a conta fica mais simples — e ao mesmo tempo mais difícil. Restaram apenas dois candidatos.

Flávio Bolsonaro entra no segundo turno embalado pela liderança do primeiro e pelo avanço de aliados no Congresso. Lula começa a nova etapa obrigado a buscar votos fora do campo que já o apoiou no domingo, especialmente entre eleitores de centro e entre os milhões que escolheram outros candidatos.

Os dois também terão de enfrentar um eleitorado bastante dividido. Com uma diferença inferior a dois pontos percentuais no primeiro turno, qualquer mudança relevante de apoio, comparecimento ou rejeição pode pesar.

Se as urnas deram uma mensagem neste domingo, foi esta: 2026 não mexeu apenas na corrida pelo Planalto. A eleição redesenhou parte importante do mapa político brasileiro.

E no dia 25 de outubro, o país volta às urnas para decidir quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos.

Fontes: Agência Senado — resultado presidencial; Agência Senado — composição das bancadas; TSE — eleição no Rio Grande do Sul; Folha de S.Paulo — levantamento sobre impeachment no STF; dados da apuração presidencial consultados no sistema do TSE e em cobertura atualizada na noite de 4 de outubro de 2026.

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