Alto consumo de açúcar e a resistência à Insulina cerebral: receita para a Neurodegeneração

Uma nova pesquisa estabelece conexões alarmantes entre dietas ricas em açúcar e o aumento do risco de doenças neurodegenerativas como o Alzhe

Publicado 21/11/2023 às 09:47 por Alex Torres

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Em um mundo onde o doce sabor do açúcar seduz paladares, uma descoberta científica alerta para os perigos que este prazer pode acarretar ao cérebro. Conduzido por Mroj Alassaf e sua equipe no prestigioso Fred Hutchinson Cancer Research Center nos Estados Unidos, um estudo recente traz à luz a relação entre alta ingestão de açúcar e resistência à insulina no cérebro. Publicado no dia 7 de novembro na revista de acesso aberto PLOS Biology, o trabalho científico sugere que tal dieta pode comprometer a capacidade cerebral de remover detritos neurais, pavimentando o caminho para doenças neurodegenerativas.

Existe ligação entre a obesidade e a neurodegeneração?

A obesidade é um fator de risco conhecido para transtornos neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer e Parkinson, porém a natureza exata dessa conexão sempre foi um enigma. A pesquisa atual se debruça sobre essa questão, explorando a semelhança genética entre humanos e moscas da fruta. Em estudos anteriores já se constatou que uma dieta rica em açúcar provoca resistência à insulina nos órgãos periféricos dos dípteros. Agora, o foco voltou-se para as células gliais, haja vista que seu mau funcionamento está ligado à degeneração neural.

Entendendo a resistência à insulina e suas implicações

flat lay photography of cereals on bowl

Para investigar o impacto da dieta açucarada no funcionamento cerebral, os pesquisadores alimentaram moscas da fruta com um cardápio repleto de açúcar. Eles observaram que as células gliais apresentaram níveis reduzidos da proteína PI3k, um indicador de resposta à insulina, sugerindo resistência à mesma. Em um olhar mais atento sobre as células de ensheathing glia – equivalentes à microglia humana e responsáveis por limpar detritos neurais – notou-se uma baixa concentração da proteína Draper, sinalizando uma função prejudicada.

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Em testes adicionais, a equipe de Alassaf descobriu que a redução artificial dos níveis de PI3k não só causou resistência à insulina, mas também resultou em níveis baixos da proteína Draper. Mais preocupante ainda, após danos nos neurônios olfativos, constatou-se que a ensheathing glia não conseguia remover os axônios degenerados nas moscas submetidas à dieta rica em açúcar, já que seus níveis de Draper não se elevavam conforme o esperado.

Financiamento e contribuição científica

Esta pesquisa foi viabilizada por uma série de financiamentos: por meio de grants concedidos a Akhila Rajan pelo National Institute of General Medical Sciences, pela Brain Research Foundation e pelo McKnight Foundation Neurobiology Disorders Award de 2023, além do apoio de uma bolsa de pós-doutorado da Helen Hay Whitney Foundation para Mroj Alassaf. Importante frisar que os financiadores não influenciaram no desenho do estudo, na coleta e análise dos dados, na decisão de publicar ou na preparação do manuscrito.

Conclusão e perspectivas futuras

Em conclusão, o estudo não somente revela como uma dieta rica em açúcar dispara a resistência à insulina nas células gliais, mas também como isso perturba sua habilidade em limpar os resíduos neurais. As implicações dessas descobertas reforçam a importância de terapias que visem reduzir o risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas e destacam o poder da alimentação como um fator modificável na prevenção dessas condições devastadoras.

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