Arqueólogos descobrem ossadas humanas de cerca de 10 mil anos no Brasil

Uma descoberta arqueológica surpreendente no nordeste do Brasil revelou sepultamentos com até 10 mil anos, evidenciando a presença

Publicado 20/01/2024 às 10:54 por Alex Torres

Um Cemitério Indígena com História Milenar

Em recentes escava√ß√Ķes realizadas por arque√≥logos no Brasil, foi desenterrado um extenso cemit√©rio ind√≠gena na cidade de S√£o Lu√≠s, capital do Maranh√£o. Mais de 40 esqueletos e milhares de artefatos associados a rituais f√ļnebres foram encontrados, com data√ß√Ķes que remontam a 10 mil anos atr√°s. O s√≠tio arqueol√≥gico, localizado na Fazenda Rosane, situa-se entre duas avenidas movimentadas e veio √† tona em virtude de obras para um programa habitacional governamental.

Os Primeiros Habitantes e os Sambaquianos

Os restos humanos mais antigos sugerem a exist√™ncia de uma comunidade ancestral at√© ent√£o desconhecida, anterior aos Sambaquianos, ca√ßadores-coletores costeiros que viveram historicamente na regi√£o. Essa descoberta representa o registro mais antigo de humanos no estado do Maranh√£o, no nordeste brasileiro. J√° era de conhecimento dos arque√≥logos que a regi√£o de S√£o Lu√≠s, tamb√©m conhecida como Upaon-A√ßu ‚Äď que em l√≠nguas ind√≠genas Tup√≠-Guaran√≠ significa ‚Äúgrande ilha‚ÄĚ ‚Äď possu√≠a vest√≠gios de atividades humanas pr√©-hist√≥ricas. Por exemplo, uma mand√≠bula pr√©-hist√≥rica foi encontrada na Fazenda Rosane na d√©cada de 1970, e outros artefatos datados de 6 mil anos atr√°s j√° haviam sido descobertos na capital maranhense. Esses vest√≠gios foram atribu√≠dos aos povos Sambaquianos, que se sustentavam com recursos marinhos e constru√≠am montes de conchas com restos alimentares que chegavam a alcan√ßar at√© 30 metros de altura.

Escava√ß√£o Revela M√ļltiplas Camadas da Hist√≥ria

A escava√ß√£o mais recente, iniciada em junho de 2019, revelou inicialmente uma variedade de cer√Ęmicas fragmentadas e ferramentas de pedra. No entanto, no auge da pandemia da COVID-19 em 2020, o primeiro esqueleto foi encontrado a aproximadamente 60 cent√≠metros de profundidade. Desde ent√£o, a equipe arqueol√≥gica descobriu um total de 43 esqueletos e cerca de 100.000 fragmentos de artefatos em pelo menos quatro diferentes camadas de sedimento, indicando que o local foi ocupado por pessoas em pelo menos quatro per√≠odos distintos ao longo de 8.500 anos.

Os esqueletos encontrados pertencem majoritariamente a homens adultos e incluem restos de duas crian√ßas. Segundo Wellington Lage, o arque√≥logo respons√°vel pelas escava√ß√Ķes, as an√°lises iniciais sugerem que esses indiv√≠duos estavam envolvidos em atividades f√≠sicas intensas, como indicado por marcas √≥sseas de carga e mobilidade extensiva. O esqueleto mais profundo estava quase 2 metros abaixo da superf√≠cie e foi datado utilizando a t√©cnica de luminesc√™ncia opticamente estimulada (OSL), que apontou para um per√≠odo entre 7.000 e 10.000 anos atr√°s.

Import√Ęncia Hist√≥rica e Futuros Passos

De acordo com Sara Batista, arque√≥loga do Instituto do Patrim√īnio Hist√≥rico e Art√≠stico Nacional (IPHAN) que n√£o esteve envolvida na escava√ß√£o, os achados s√£o as datas mais antigas no estado do Maranh√£o, desde o meio e in√≠cio do per√≠odo Holoceno, sendo representativos da hist√≥ria mundial na √©poca em que as Am√©ricas foram povoadas. Para validar a data√ß√£o das diferentes camadas do solo, Lage enviar√° amostras para o laborat√≥rio Beta Analytic, nos EUA, para data√ß√£o por radiocarbono em fevereiro, permitindo estabelecer quando os seguintes grupos ocuparam o local: pr√©-Sambaquiano, Sambaquiano, Tupi (culturas amaz√īnicas) e Tupinamb√°s ‚ÄĒ um subgrupo Tupi que ocupou a costa atl√Ęntica e teve contato com europeus ap√≥s 1500.

O trabalho de campo na Fazenda Rosane deve ser conclu√≠do em seis meses. A construtora, em parceria com o IPHAN e a Universidade Federal do Maranh√£o, planeja construir um centro de curadoria e armazenamento para abrigar os achados arqueol√≥gicos, incluindo um laborat√≥rio de pesquisa e um museu. A iniciativa representa um marco importante para a preserva√ß√£o e compreens√£o da pr√©-hist√≥ria do Brasil, oferecendo uma janela √ļnica para a vida das comunidades antigas que habitaram a regi√£o.

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