Espermatozoides estão em declínio no mundo: Implicações e Controvérsias

Estudos recentes indicam uma redução significativa na contagem de espermatozoides em homens ao redor do mundo nas últimas cinco décadas, provocando discussões sobre fertilidade masculina e saúde em geral.

Publicado 22/01/2024 às 09:16 por Alex Torres

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Uma tendência alarmante foi identificada em estudos médicos globais: a quantidade de espermatozoides entre os homens parece ter sofrido uma queda superior a 50% em escala mundial nos últimos cinquenta anos. Uma análise atualizada da literatura médica aponta para essa diminuição, que, se confirmada e mantida, pode ter consequências significativas para a reprodução humana e, de maneira mais ampla, para a saúde masculina, já que a qualidade do sêmen é frequentemente vista como um indicador da saúde geral do homem.

Debate Científico sobre a Fertilidade Masculina

O debate está aceso entre especialistas sobre a fertilidade masculina. Alguns reconhecem a urgência e a veracidade das descobertas, enquanto outros questionam a consistência dos dados devido às mudanças nos métodos de análise do sêmen ao longo das décadas. A dificuldade de comparar dados históricos com os atuais é um ponto importante dessa discussão. Contudo, há consenso na necessidade de mais pesquisas sobre o assunto.

Visões de Especialistas e Novos Dados

De acordo com o Dr. Michael Eisenberg, urologista da Stanford Medicine que não participou da revisão, a reprodução é uma função fundamental das espécies e qualquer sinal de seu declínio é um achado crucial. Ele também evidencia a conexão entre saúde reprodutiva e saúde geral. Por outro lado, o Dr. Alexander Pastuczak, da University of Utah School of Medicine, expressa ceticismo quanto às conclusões da revisão, apontando que os métodos de análise de sêmen passaram por refinamentos significativos e que estudos mais recentes, utilizando técnicas diferentes, não refletem a mesma tendência de decréscimo nos números.

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Atualização Inclui Dados de Diversos Continentes

A nova análise, publicada na revista Human Reproduction Update, expande a revisão de 2017 com dados inéditos provenientes da América Central e do Sul, Ásia e África. Uma equipe internacional de pesquisadores selecionou cuidadosamente estudos que atendiam a critérios rigorosos, excluindo aqueles focados exclusivamente em homens avaliados por infertilidade ou com anormalidades genitais conhecidas.

Ao todo, 38 estudos foram incluídos na análise, que revelou uma queda anual de pouco mais de 1% na contagem de espermatozoides no período entre 1973 e 2018. Mais alarmante foi a constatação de que a queda parece estar se acelerando, com uma média anual de declínio de 1,16% após 1973 para 2,64% após 2020.

Fatores Contribuintes e o Futuro da Fertilidade Masculina

A pesquisa não determinou as causas exatas do declínio, mas hipóteses incluem fatores como o estresse da mãe durante a gravidez, tabagismo materno e exposição a produtos químicos na formação do sistema reprodutor masculino. O estilo de vida moderno, com obesidade, sedentarismo e dietas ricas em alimentos ultraprocessados, também pode influenciar negativamente a qualidade do sêmen.

Desafios Metodológicos e Perspectivas Futuras

O estudo enfrenta desafios inerentes ao tipo de pesquisa, principalmente no que tange à comparação de dados históricos com os atuais, ressalta o Dr. Scott Lundy, urologista da Cleveland Clinic, que não participou da pesquisa. Apesar das dificuldades metodológicas, ele enxerga o valor dos dados históricos disponíveis e alerta para o risco de contagens de espermatozoides se tornarem anormais no futuro, enfatizando a importância de estudos contínuos nessa área.

Em suma, embora a contagem média de espermatozoides ainda seja considerada normal, o declínio observado suscita preocupações e aponta para a necessidade urgente de pesquisas adicionais para entender melhor os fatores por trás dessa tendência e suas possíveis implicações.

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