Uma mordida de gato pode ser mais perigosa do que você imagina

Um incidente ocorrido no Reino Unido levanta um alerta importante sobre o perigo invisível que pode habitar as mandíbulas de um felino de rua. De fato, uma mordida de gato pode ser mais perigosa do que você pensa.

Publicado 12/08/2023 às 11:53 por Alex Torres

Um homem de 48 anos, ap√≥s ser mordido por um gato vadio, contraiu uma esp√©cie de bact√©ria at√© ent√£o desconhecida pela ci√™ncia. Um fato que nos faz refletir sobre a import√Ęncia de tratarmos cada ferimento com a seriedade que ele merece.

Poucas horas após a mordida, a mão do homem inchou de tal maneira que precisou ser levado às pressas para o pronto-socorro, conforme relatado pela Science Alert. Seus ferimentos foram devidamente limpos e enfaixados, e ele recebeu uma vacina contra tétano, além de uma prescrição de antibióticos para tomar em casa.

Contudo, apenas um dia depois, ele retornou ao hospital porque seus dedos mínimo e médio da mão esquerda estavam dolorosamente inchados, assim como seus antebraços, que também apresentavam vermelhidão e inchaço.

Para tratar o paciente, os médicos tiveram que remover cirurgicamente o tecido danificado ao redor das feridas e administrar três tipos diferentes de antibióticos por via intravenosa, antes de liberá-lo para casa com medicamentos orais, como informa a Science Alert.

Para alívio do paciente, o tratamento funcionou e ele se recuperou completamente. Contudo, o mistério sobre a bactéria desconhecida ainda assustava os médicos do hospital.

A surpreendente descoberta

Quando os médicos analisaram os microorganismos presentes nas amostras das feridas do paciente, encontraram uma bactéria não identificada, similar ao Streptococcus, um gênero de bactérias gram-positivas associadas a doenças como meningite, faringite estreptocócica, pneumonia bacteriana e conjuntivite.

Mas o verdadeiro espanto ocorreu quando parte do genoma dessa bactéria foi sequenciado e não coincidiu com nenhuma cepa já registrada. Como resultado, a bactéria pertence a outro gênero de bactérias gram-positivas, chamadas Globicatella.

Ap√≥s a sequencia√ß√£o completa do genoma da bact√©ria, ficou evidente que ela diverge de outras cepas relacionadas, como a G. sulfidfaciens, em cerca de 20%, o que indica uma ‚Äúesp√©cie distinta e n√£o descrita anteriormente‚ÄĚ, conforme reportado pela Science Alert.

A descoberta despertou a atenção da comunidade médica, não apenas pela novidade, mas também pelo fato de que a G. sulfidifaciens é resistente a vários tipos comuns de antibióticos, o que pode torná-la difícil de ser erradicada do corpo. Felizmente, a nova cepa descoberta no Reino Unido respondeu bem a alguns antibióticos.

Os perigos ocultos nos felinos

Esta hist√≥ria serve como um alerta para o p√ļblico: os gatos podem ser portadores de esp√©cies bacterianas ainda n√£o descobertas que t√™m potencial patog√™nico humano.

No caso dos Estados Unidos, as mordidas e arranh√Ķes de gatos que perfuram a pele causam 66.000 visitas ao pronto-socorro a cada ano. Muitos desses incidentes exigem uso de antibi√≥ticos e, em alguns casos, at√© cirurgia para prevenir infec√ß√Ķes graves.

Como todos os animais, os gatos podem abrigar alguns patógenos muito perigosos. O fato de terem dentes pontiagudos e garras significa que podem injetar esses patógenos profundamente em nossa pele. E se a mordida ou arranhão ocorrer em uma articulação, pode ser difícil de tratar.

Portanto, especialistas recomendam que, em caso de um ataque de um gato de rua, a ferida deve ser imediatamente lavada suavemente com sabão ou sal e um médico deve ser consultado imediatamente.

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