Neuroprótese: Uma realidade inovadora para pacientes de Parkinson

Em um avanço médico singular, a ciência traz esperança aos passos incertos de indivíduos com Parkinson. Marc Gauthier, um francês que enfrenta

Publicado 30/11/2023 às 07:58 por Alex Torres

O Renascer de Uma Caminhada

As ruas de Bordéus, França, presenciaram o renascimento da marcha de Marc Gauthier, que aos 63 anos, desafiou as probabilidades impostas pelo Parkinson. Há trinta anos, uma realidade sombria foi desenhada por seu diagnóstico, mas uma luz brilhou quando o Hospital Universitário de Lausana apresentou uma tecnologia que prometia devolver sua autonomia. Gauthier, antes constrangido por uma marcha congelada, celebra agora sua nova capacidade de passear sem temor pelos ambientes que antes representavam grandes desafios. Esse milagre moderno, uma neuroprótese, foi cuidadosamente tecido em seu ser, não apenas como um aparato, mas como a chave para um cotidiano quase esquecido.

A revista Nature Medicine foi o palco onde os detalhes dessa inovação foram revelados. A neuroprótese, ao ser implantada, direciona estímulos elétricos a áreas específicas da medula espinhal responsáveis pela locomoção. Eduardo Martín Moraud, um visionário engenheiro neural espanhol e cabeça do projeto NeuroRestore, aponta para um futuro de tecnologia adaptativa, onde cada paciente com Parkinson possa encontrar alívio para as particularidades de seu quadro. Seu trabalho e o de sua equipe não se limitam ao laboratório; eles pretendem expandir as fronteiras de seu conhecimento, com ensaios clínicos financiados pela generosa Fundação Michael Fox.

Uma Jornada Pessoal

Marc Gauthier ‚Äď primeiro paciente a receber uma Neuropr√≥tese

O caminho de Gauthier com o Parkinson come√ßou cedo, aos 36 anos. Sua trajet√≥ria foi marcada por tratamentos que inclu√≠ram terapia de reposi√ß√£o de dopamina e estimula√ß√£o cerebral profunda. Contudo, com o avan√ßar da doen√ßa, surgiu um perturbador congelamento da marcha, que o fazia cair em m√©dia quatro vezes por dia. O novo experimento com a neuropr√≥tese trouxe-lhe n√£o s√≥ a capacidade de subir escadas e girar sobre si mesmo com naturalidade, mas tamb√©m a autonomia para caminhar longas dist√Ęncias sem se sentir cansado ou com dor.

Entendendo o Parkinson

O Parkinson, um fantasma que assombra o sistema nervoso de forma cr√īnica e progressiva, √© classificado entre os dist√ļrbios de movimento. Andr√© Fel√≠cio, expert em neurologia, destaca no portal do Hospital Israelita Albert Einstein que a doen√ßa √© conhecida pelo tremor em repouso, rigidez e lentid√£o nos movimentos, e afeta principalmente homens mais velhos. A escassez de dopamina √© o fio condutor dos sintomas motores, um elo perdido que a neuropr√≥tese busca restaurar, ainda que temporariamente. A doen√ßa n√£o interrompe a instru√ß√£o do movimento do c√©rebro √†s pernas, mas enfraquece a transmiss√£o desta mensagem vital.

Um mecanismo que se soma a esperança

Com ensaios iniciais em primatas, a equipe de Lausana definiu os par√Ęmetros ideais para a neuropr√≥tese. Gauthier recebeu o implante composto por uma s√©rie de eletrodos, que se conectaram a um estimulador neuronal no abd√īmen, controlado externamente por um controle remoto, como explicado pela neurocirurgi√£ e co-diretora da NeuroRestore, Jocelyne Bloch. Ap√≥s a reabilita√ß√£o, Gauthier reconquistou a habilidade de caminhar de modo independente, um feito que embora n√£o seja uma cura definitiva, oferece um sopro de qualidade de vida.

Com a visão de tornar o tratamento acessível a todos que sofrem com Parkinson, Grégoire Courtine da EPFL e co-diretor da NeuroRestore, junto com sua equipe, projeta novos ensaios clínicos, financiados pela Fundação Michael J. Fox. Esses estudos buscarão provar a segurança e eficácia da neuroprótese, com o sonho de que, um dia, ela possa ser uma opção de tratamento global, tal como a estimulação cerebral profunda. Contudo, o caminho é longo, prevendo-se pelo menos cinco anos de desenvolvimento e testes antes que essa nova promessa possa ser amplamente utilizada.

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